Criptorquidia: testículo que não desceu — quando tratar?
O tempo importa. Nos primeiros meses, o testículo ainda pode descer espontaneamente — por isso, em geral aguardamos até por volta dos 6 meses. Se não desceu até essa idade, a correção cirúrgica (orquidopexia) costuma ser indicada, idealmente ainda no primeiro ano de vida.
O que é a criptorquidia
Durante a gestação, os testículos se formam dentro do abdome e "descem" até a bolsa escrotal. Quando essa descida não se completa, o testículo fica retido no trajeto — na região inguinal, na maioria das vezes. É a criptorquidia, presente em parte dos recém-nascidos e mais comum em prematuros.
Nos primeiros meses de vida, a descida ainda pode acontecer espontaneamente — por isso a janela de observação até por volta dos 6 meses.
Por que não adiar o tratamento
- Desenvolvimento do testículo: a bolsa escrotal tem temperatura menor que o abdome — o ambiente adequado para o testículo se desenvolver;
- Fertilidade futura: a correção no tempo certo favorece a preservação da função testicular;
- Acompanhamento ao longo da vida: o testículo posicionado na bolsa é facilmente examinável — o que facilita a vigilância na adolescência e na vida adulta;
- Risco de torção e hérnia associada, mais frequentes no testículo não descido.
Criptorquidia ou testículo retrátil?
Nem todo testículo "que some" é criptorquidia. O testículo retrátil sobe pelo reflexo natural do músculo cremaster — especialmente com frio ou cócegas — mas desce e permanece na bolsa quando a criança está relaxada, como no banho morno.
O retrátil, em geral, não precisa de cirurgia — apenas de acompanhamento, pois uma parte pode "ascender" com o crescimento. O exame clínico diferencia as duas situações.
Como é a orquidopexia
- Objetivo: liberar o testículo e fixá-lo na bolsa escrotal;
- Incisões pequenas na região inguinal e na bolsa escrotal;
- Anestesia geral com anestesista pediátrico, em regime ambulatorial na maioria dos casos;
- Quando o testículo não é palpável no exame, a investigação pode incluir avaliação videolaparoscópica para localizá-lo — o planejamento é individualizado.
Recuperação e acompanhamento
- Desconforto leve nos primeiros dias, controlado com analgésicos comuns;
- Retorno à escola em poucos dias; atividades que forcem a região (bicicleta, cavalinhos de brinquedo) aguardam a orientação individual;
- Nas revisões, acompanhamos a posição e o desenvolvimento do testículo;
- Na adolescência, o jovem aprende o autoexame — o hábito que a cirurgia no tempo certo torna possível.
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Dúvidas frequentes sobre criptorquidia
Testículo retrátil precisa de cirurgia?
Em geral, não — apenas acompanhamento, pois desce e permanece na bolsa quando a criança relaxa. Uma parte pode ascender com o crescimento, e por isso o seguimento importa.
E se os dois testículos não desceram?
A criptorquidia bilateral merece avaliação mais ampla e, por vezes, investigação complementar. A conduta cirúrgica segue os mesmos princípios, com planejamento individualizado.
Criptorquidia aumenta o risco de câncer de testículo?
O testículo que não desceu tem risco aumentado ao longo da vida. A correção precoce e o posicionamento na bolsa facilitam a vigilância e o autoexame — mais um motivo para tratar no tempo certo.
Qual a melhor idade para operar?
Idealmente no primeiro ano de vida, após a janela de descida espontânea. Crianças diagnosticadas mais tarde também se beneficiam da correção — o momento é individualizado.
Seu filho tem esse diagnóstico?
Cada criança é única. Vamos conversar sobre o caso do seu filho com calma, sem pressa e sem pressão.
Agendar consultaConteúdo revisado por Dr. Fábio Augusto Albanez Souza, cirurgião pediatra · CRM-DF 15431 · RQE 13309 · sobre o Dr. Fábio. Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica.