Cateteres venosos na oncologia pediátrica: port-o-cath, tunelizado e PICC

Resposta direta

O cateter venoso central é um dos maiores aliados da criança em tratamento oncológico: permite administrar quimioterapia, medicamentos e coletar exames sem furar a criança repetidamente. Os principais tipos são o port-o-cath (totalmente implantável), o cateter semi-implantável tunelizado e o PICC — a escolha depende do protocolo e da duração do tratamento.

Por que o cateter é um aliado, não um susto

A notícia de que o filho "vai colocar um cateter" costuma assustar — mas a experiência das famílias, semanas depois, é quase sempre a oposta: o cateter devolve tranquilidade. Sem ele, cada quimioterapia, medicação e coleta de sangue exigiria uma nova punção venosa — e as veias periféricas da criança não suportam bem os quimioterápicos.

Com o cateter central, o acesso está sempre pronto, seguro e confortável.

Port-o-cath: o totalmente implantável

É o mais utilizado nas quimioterapias com aplicações intermitentes. Um pequeno reservatório fica completamente sob a pele do tórax, conectado a um cateter que alcança uma veia central.

  • Invisível por fora: apenas uma pequena elevação sob a pele — sem curativos no dia a dia;
  • Punção só quando necessário, com agulha específica (e pomada anestésica antes, na maioria dos serviços);
  • Banho liberado e, fora dos períodos de punção, até natação;
  • Menor risco de infecção entre os cateteres de longa permanência.

Semi-implantável (tunelizado, tipo Hickman/Broviac)

Percorre um túnel sob a pele e tem uma extremidade externa, por onde as medicações são administradas sem nenhuma punção.

  • Indicado quando o acesso é usado com muita frequência ou de forma contínua — como em alguns protocolos e no transplante de medula óssea;
  • Exige curativos e cuidados regulares com a parte externa;
  • O banho pede proteção do curativo, conforme orientação da equipe.

PICC: inserção pelo braço

O cateter central de inserção periférica entra por uma veia do braço e avança até uma veia central. É opção para tratamentos de semanas a poucos meses, com colocação menos invasiva — muitas vezes à beira do leito, por equipe treinada.

Como é o implante

  • Procedimento cirúrgico rápido, em geral de 30 a 60 minutos, com anestesia adequada à idade;
  • Sempre que possível, aproveitamos o mesmo tempo anestésico de outro procedimento do protocolo (como a biópsia), poupando a criança de uma anestesia adicional;
  • A posição do cateter é confirmada por imagem antes do uso;
  • Na maioria dos casos, sem necessidade de internação exclusiva para o implante.

Cuidados em casa e sinais de alerta

A equipe de oncologia orienta os cuidados específicos de cada tipo. Os sinais que pedem contato imediato:

  • Febre — em criança com cateter e em quimioterapia, febre é sempre avaliada com urgência;
  • Vermelhidão, dor ou secreção no local do cateter ou no trajeto;
  • Inchaço do braço, pescoço ou face do mesmo lado;
  • Dificuldade da equipe para infundir ou aspirar pelo cateter.

Ao fim do tratamento, o cateter é retirado em procedimento simples — um marco que as famílias comemoram.

Dúvidas frequentes sobre cateteres

A punção do port-o-cath dói?

Usa-se agulha específica e, na maioria dos serviços, pomada anestésica aplicada antes — a maioria das crianças tolera muito bem e incorpora a rotina sem medo.

Meu filho pode tomar banho e nadar com o cateter?

Com o port-o-cath, banho liberado e natação possível fora dos períodos de punção. Nos cateteres com parte externa, o banho pede proteção do curativo e a natação é evitada.

Quanto tempo o cateter fica no corpo?

Pelo tempo do tratamento — meses a anos, conforme o protocolo. Ao final, é retirado em procedimento simples.

O que fazer se a criança tiver febre?

Contato imediato com a equipe de oncologia ou pronto atendimento indicado — febre em criança com cateter em quimioterapia é sempre prioridade, a qualquer hora.

Seu filho tem esse diagnóstico?

Cada criança é única. Vamos conversar sobre o caso do seu filho com calma, sem pressa e sem pressão.

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Conteúdo revisado por Dr. Fábio Augusto Albanez Souza, cirurgião pediatra · CRM-DF 15431 · RQE 13309 · sobre o Dr. Fábio. Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica.