Apendicite em crianças: sinais de alerta e tratamento
A apendicite é a urgência cirúrgica mais comum da infância. O quadro típico é dor abdominal que começa ao redor do umbigo e migra para o lado inferior direito, com febre, enjoo e perda de apetite. Diante da suspeita, procure o pronto-socorro: o tratamento é a apendicectomia, frequentemente por videolaparoscopia.
O que é a apendicite
O apêndice é uma pequena estrutura ligada ao intestino grosso. Quando obstruído, inflama — e a inflamação evolui em horas a poucos dias, podendo levar à perfuração se não tratada. Por isso a apendicite é uma urgência: o tempo entre o início dos sintomas e a cirurgia importa.
Os sinais clássicos
- Dor abdominal que muda de lugar: começa difusa ou ao redor do umbigo e, em horas, se concentra no lado inferior direito;
- Dor que piora ao caminhar, pular ou tossir — a criança anda curvada, evita se mexer;
- Dor com os movimentos bruscos do carro: no trajeto até o hospital, cada solavanco incomoda — um sinal clássico que os pais relatam;
- Febre, em geral baixa no início;
- Enjoo, vômitos e perda de apetite — a recusa da comida favorita é um sinal que os pais notam.
Atenção com os pequenos: quando o quadro engana
Quanto menor a criança, mais atípico o quadro: crianças pequenas — até cerca de 5 anos de idade — podem apresentar só febre, irritabilidade, diarreia ou recusa alimentar — e por isso o diagnóstico costuma ser mais tardio nessa faixa etária, com maior taxa de perfuração.
A regra prática para os pais: dor abdominal que persiste e piora ao longo de horas, com febre ou vômitos, merece pronto-socorro — não remédio para dor em casa esperando passar, o que pode mascarar a evolução.
Como é feito o diagnóstico
Exame clínico é o centro do diagnóstico, complementado por exames de sangue e ultrassonografia — que na criança costuma ser suficiente, evitando radiação. Em casos duvidosos, a observação com reavaliações seriadas ou outros exames de imagem definem a conduta.
A cirurgia: apendicectomia
- Videolaparoscopia: pequenas incisões, recuperação mais rápida e menos dor — a via preferencial na maioria dos casos;
- Anestesia geral, com anestesista pediátrico;
- Internação curta: na apendicite não complicada, em geral 1 a 2 dias;
- Na apendicite complicada (perfuração, abscesso), a internação é mais longa, com antibióticos venosos.
Recuperação
- Alimentação retorna progressivamente já na internação;
- Escola: em torno de uma semana na apendicite simples;
- Esportes e educação física: em geral 2 a 4 semanas, conforme a evolução;
- As revisões confirmam a recuperação completa — como em toda a nossa jornada.
Dúvidas frequentes sobre apendicite
Apendicite pode ser tratada só com antibiótico?
Em situações selecionadas há protocolos de tratamento não operatório, mas a apendicectomia segue sendo o tratamento padrão na infância — com a vantagem de resolver definitivamente. A decisão é individualizada.
Criança pequena tem apendicite?
Sim, embora seja menos comum. Nos pequenos o quadro é mais atípico e o diagnóstico mais desafiador — dor persistente com febre merece avaliação sem demora.
E se o apêndice já perfurou?
A cirurgia continua indicada, acompanhada de antibióticos venosos e internação mais longa. A recuperação é boa na grande maioria dos casos, com acompanhamento próximo.
Quanto tempo de internação?
Na apendicite não complicada, em geral 1 a 2 dias. Nas complicadas, o tempo depende da resposta aos antibióticos e da evolução clínica.
Seu filho tem esse diagnóstico?
Cada criança é única. Vamos conversar sobre o caso do seu filho com calma, sem pressa e sem pressão.
Agendar consultaConteúdo revisado por Dr. Fábio Augusto Albanez Souza, cirurgião pediatra · CRM-DF 15431 · RQE 13309 · sobre o Dr. Fábio. Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica.