Por que um tangram em forma de coração? a história do meu símbolo

Logo do Dr. Fábio Albanez: coração formado por sete peças de tangram em tons pastéis

Algumas famílias, ao conhecerem o consultório ou o site, perguntam sobre o símbolo: um coração montado com as sete peças de um tangram. A curiosidade faz sentido — não é a escolha óbvia para uma prática cirúrgica. Cada elemento dele tem um motivo, e neste artigo explico as escolhas.

Um brinquedo milenar

O tangram nasceu na China — qiqiao ban, algo como "as sete tábuas da habilidade". Um quadrado cortado em sete peças: cinco triângulos, um quadrado e um paralelogramo. A regra é simples e inegociável: toda figura usa as sete peças, sem sobreposição.

No século XIX, o quebra-cabeça atravessou os oceanos e virou febre mundial. E segue vivo até hoje nas salas de aula e nos consultórios de desenvolvimento infantil: montar um tangram exercita raciocínio espacial, paciência e criatividade — habilidades que, aliás, um cirurgião usa todos os dias.

Por que um brinquedo representa uma prática cirúrgica?

Porque eu opero crianças — e o lúdico não é decoração no meu trabalho: é ferramenta clínica. É a touca de foguetes no centro cirúrgico, o bicho de pelúcia que acompanha até a anestesia, a explicação do procedimento na linguagem que cada idade entende. Um brinquedo como símbolo diz, antes de qualquer palavra, para quem é este cuidado.

E diz algo sobre como ele é feito: o tangram é precisão e criatividade ao mesmo tempo — peças de geometria exata, combinadas com imaginação. Uma boa definição do ofício de operar crianças.

Sete peças, uma unidade

Aqui mora o significado mais importante. No tangram, nenhuma peça forma a figura sozinha — o coração só existe quando todas participam. É exatamente assim que uma criança atravessa uma cirurgia: pais, avós, irmãos, pediatra, anestesista, enfermagem e cirurgião, cada um com seu formato e seu lugar, encaixados em torno do mesmo propósito.

Quando digo às famílias que percorremos a jornada juntos, o símbolo já disse isso antes de mim: retire uma peça e o coração fica incompleto.

As cores que acalmam

As peças poderiam ter cores vibrantes de brinquedo — eu escolhi tons pastéis de propósito. Verde-água, rosa, pêssego, lilás, amarelo e azul suaves: cores que baixam o tom da conversa. Quem chega a um cirurgião pediátrico costuma chegar ansioso, e cada detalhe deve dizer "aqui você pode respirar".

Quem navega por este site percebe que as cores também trabalham: cada área e cada etapa da jornada carrega uma peça do tangram na sua cor — o símbolo desmontado, espalhado pelo cuidado.

E o coração no centro de tudo

Entre as milhares de figuras que um tangram pode formar, eu escolhi a mais universal. O coração é o amor da família — a força que trouxe vocês até a consulta — e é também o compromisso de empatia do médico: técnica sem acolhimento é metade do cuidado.

Há ainda um detalhe que guardo com carinho: as mesmas sete peças formam infinitas figuras diferentes. Cada criança que atendo é uma figura nova — o mesmo rigor, a mesma dedicação, um desenho que nunca se repete.

Quer conhecer o cuidado por trás do símbolo?

Conheça minha trajetória ou veja como acompanhamos as famílias, passo a passo, na jornada cirúrgica.

Conhecer a jornada da família

Escrito por Dr. Fábio Augusto Albanez Souza, cirurgião pediatra · CRM-DF 15431 · RQE 13309 · sobre o Dr. Fábio.